Brasil Senado
Senado mira punição a ataques virtuais contra mortos após caso de jovem do 'rope jump'
Presidente da comissão, Damares Alves pediu apuração criminal de perfis que ironizaram o corpo da vítima e prometeu cerco a “mercado de violação de cadáveres”.
17/06/2026 14h55
Por: Redação Fonte: Assessoria de Comunicação Senadora Damares Alves

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado vai pedir a apuração criminal dos perfis que fizeram ataques misóginos e de cunho sexual à jovem morta ao saltar de uma ponte no último fim de semana. 

 

A presidente do colegiado, senadora Damares Alves, anunciou nesta quarta-feira (17) que pretende pautar a ampliação das punições para quem viola direitos de pessoas falecidas.

 

A movimentação é uma resposta à onda de publicações que ironizaram o acidente fatal da praticante de esporte radical. Nas redes sociais, perfis celebraram a chegada do corpo da vítima ao Instituto Médico Legal (IML), com insinuações sobre a integridade do cadáver.

 

Durante a sessão da CDH, Damares afirmou que diversos autores das publicações já foram identificados. A senadora chamou a atenção para o que classificou como um mercado oculto de violação de corpos, que agora ganha uma nova dimensão no ambiente digital.

 

"Eles saem do cemitério, dos IMLs e das funerárias, e vão para as redes sociais. Os comentários que fizeram com a morte dessa menina me machucaram tanto. É um duplo luto para a família", afirmou a parlamentar.

 

Acesse o vídeo: https://abre.ai/pzjj

 

A presidente da comissão convocou outros senadores a enfrentar a pauta, historicamente tratada como um tabu no Congresso. Ela relatou que, durante sua gestão como ministra, tentou avançar com um grupo de trabalho focado na violação de direitos pós-morte, mas o tema enfrentou resistências.

 

Diante da fatalidade, a CDH informou que também deve propor uma revisão na regulamentação de esportes de alto risco no país.

 

Entenda o caso

 

O episódio que mobilizou a comissão ocorreu no último fim de semana, quando uma jovem morreu após saltar de uma ponte. Segundo os relatos, houve falha no equipamento durante a prática de 'rope jump', e ela sofreu a queda sem estar devidamente amarrada à corda de segurança.

 

Após a confirmação da morte, publicações com ataques e piadas sobre o corpo da vítima se espalharam pelas redes sociais, gerando forte repercussão.

 

Na CDH, a senadora detalhou o teor das mensagens para exemplificar a gravidade da situação. "Como ela era muito bonita, eram comentários dos mais terríveis. Tipo: 'vai ter festa no IML hoje'. Festa tipo: 'vamos juntar os pedacinhos porque essa aqui vale a pena pós-morte'", relatou Damares. "Vocês que não viram, nem vão ver. Nem leiam", aconselhou aos colegas.

 

A presidente do colegiado ressaltou que a internet apenas deu visibilidade a uma rede de violações que já opera fisicamente no país e cobrou a formulação de leis mais duras. 

"Nós sabemos, no Brasil infelizmente, que há violação de cadáveres. Homens e mulheres que desejam violar túmulos para uso dos corpos pós-morte. E a gente vai enfrentar isso aqui", prometeu.

 

Damares Alves pontuou ainda a dificuldade histórica de debater a proteção à honra e integridade de pessoas falecidas, alertando para o que chamou de "mercado" da violação. 

 

"Vocês não têm ideia que aqui tem um mercado sobre isso. Tem funerárias envolvidas, funcionários de IML, nós temos coveiros. Vocês não têm ideia de quão tenebroso é esse mundo, esse universo", completou.

 

Assessoria de Comunicação

Senadora Damares Alves