Cultura Tema Frroupilha
“Patrimônio dessa terra” é a canção tema dos Festejos Farroupilhas 2026
Tema Frroupilha
03/06/2026 19h59
Por: Redação

Os Festejos Farroupilhas de 2026 já têm a sua canção tema. A Comissão Estadual que organiza as festividades realizou a escolha da música na quinta-feira (28/5). Intitulada “Patrimônio dessa terra”, a obra escolhida foi composta por Flávia Nogueira, primeira mulher a vencer o concurso desde que foi implementado, em 2005, e trata da temática dos Festejos deste ano, “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição” (confira abaixo a letra e o áudio, com interpretação de Leandro Berlesi).

 

A escolha da música foi realizada em reunião da Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas 2026, na quinta-feira (28/5) - Foto: Solange Brum/Ascom Sedac
A chamada pública aberta em maio recebeu 17 composições de diversas regiões do Estado. Além dos membros da Comissão, o processo de avaliação contou com a participação da diretora do Instituto Estadual de Música (IEM), Adriana Sperandir. A pluralidade de propostas, estilos e abordagens apresentadas – que demonstra a amplitude, diversidade e vitalidade da produção musical nativista contemporânea – exigiu dos avaliadores um trabalho criterioso, pautado na valorização e preservação da cultura gaúcha e em parâmetros previamente definidos, como adequação ao tema, qualidade literária, consistência melódica, originalidade, identidade regional e potencial de comunicação.

A canção “Patrimônio dessa terra”, em ritmo de chamamé, destacou-se pela sua identidade musical, riqueza poética e aderência ao tema dos Festejos Farroupilhas 2026. A obra propõe uma valorização dos povos indígenas, reconhecendo a importância de sua contribuição para a formação da identidade do gaúcho e ampliando o olhar sobre os elementos constitutivos da cultura sul-rio-grandense. A compositora Flávia Nogueira receberá uma premiação de R$ 5 mil.

Sobre os artistas

Com trajetória consolidada no cenário tradicionalista, Flávia Nogueira tem vivência significativa dentro do movimento, tendo sido prenda de faixa, dançarina em invernadas artísticas, declamadora, intérprete vocal em festivais nativistas e participante do Enart. Sua conexão direta com múltiplas expressões da cultura tradicionalista reflete-se em uma produção autoral comprometida com os valores históricos, sociais e simbólicos do universo gaúcho. A escolha de sua obra como canção tema dos Festejos também representa o fortalecimento, a renovação e a ampliação da presença feminina na composição nativista.

A interpretação da obra vencedora ficou a cargo do cantor e produtor cultural Leandro Berlesi, de destacada atuação no meio tradicionalista. Reconhecido como intérprete no contexto dos musicais de grupos de dança no Enart, construiu sua trajetória artística vinculada à difusão das danças tradicionais gaúchas e à produção musical nas invernadas artísticas. Entre seus trabalhos, destacam-se o álbum “Danças Tradicionais Gaúchas” e a criação de trilhas e espetáculos.

Leandro Berlesi (esq.) interpreta a canção "Patrimônio dessa terra", composta por Flávia Nogueira (dir.) - Foto: Arquivo pessoal

Áudio e letra

A Comissão avaliou que a canção escolhida reafirma o compromisso com a qualidade artística, a coerência cultural e a valorização da história e das identidades que compõem o Rio Grande do Sul, além de evidenciar a capacidade do tradicionalismo de dialogar com novas perspectivas, mantendo-se fiel às suas bases e aberto à reflexão e à inclusão de narrativas fundamentais para a compreensão da formação do povo gaúcho.

 Patrimônio dessa terra

Compositora: Flávia Nogueira
Intérprete: Leandro Berlesi

História índia missioneira e seu legado 

Força gaúcha que forjou o nosso Estado 

É tradição, do meu chão  

 Lanças charruas e o sotaque guarani 

Os kaingangs que viviam por aqui

Têm tradição do meu chão

 Padre González na redução de São Nicolau 

Foi o marco inicial da riqueza que viria 

E hoje em dia, 400 anos celebra 

É patrimônio dessa terra, um passado de galhardia  

 Jaci, Tupã, teus deuses e a Caá-Yari 

No sorver da tacuapi, traços de ancestralidade

Identidade que moldou o nosso chão

Na roda de chimarrão, simbolismo de amizade

 De pedra e bronze, barro e sangue são forjados

Quatro braços palanqueados

POR ASCOM SEDAC

 

Junto ao campo dos guerreiros

Tão verdadeiro como a alma desse Estado

Tem raízes no passado, nosso orgulho missioneiro!